lindos esses são os integrantes da banda 
Existem duas maneiras de se encarar e apresentar
uma banda: pelos fatos ou pela impressão que esta causa. No
caso dos paulistas NX Zero, que têm idades entre 18 e 19
anos, ambos importam. Vamos primeiro aos fatos, contra os quais
não há discussão.
O conjunto existe há cinco anos, tempo suficiente para
lançarem dois discos, sendo que este, homônimo,
é o primeiro por uma gravadora grande, Arsenal, e já
com as quatro mãos de dois midas do gênero na mesa de
som, Rick Bonadio e Rodrigo Castanho.
O clipe da música que abre o disco, “Além de
Mim”, tem alta rotação na MTV e já
chegou ao topo do programa “Disk”. No embalo, o
quinteto já rodou do Sul ao Centro-Oeste do país,
tocando com bandas como Dead Fish, CPM22 e Cachorro Grande. No ano
passado, levaram de uma tacada os prêmios de melhor banda e
música (“Além de Mim”) em
votação popular no site Zona Punk, à frente de
big shots com carreira já sedimentada nas rodas de
pogo.
Feita a apresentação formal, vamos à
música, que é o que importa.
NX Zero é uma banda que trafega com a cabeça erguida
no subterrâneo do rock, em mistura suculenta do poder de
ataque do hardcore sovada em vocal e camadas instrumentais de
melodia. As letras trafegam menos pela emoção (ou
falta de) e mais por viagens interiores. Introspecção
que ganha dramaticidade em camadas de guitarras e
sustentação vigorosa da cozinha bateria e
baixo.
A já citada “Além de Mim”, primeira do
disco, é exemplo redondo – uma guitarra enfurecida
prenuncia um quebra-quebra generalizado, suavizado pela melodia
vocal e um morde-assopra conduzido por Dani Weksler na bateria.
“Conseqüências” mantém a levada, com
um dueto encaixado no ângulo no refrão.
“Razões e Emoções” é o
cartão de visitas introspectivo do NX Zero, com densidade
que dá a impressão de que o ar que envolve a
música pode ser cortado com uma faca.
Com “Um Pouco Mais”, no embalo da letra do hateen
Rodrigo Koala, a banda fica mais emotiva, mas não perde o
rebolado nem “com um nó na garganta”. O apelo
emocional segue em “Ilusão”, música que
prestigia tanto a cadência quanto o peso.
O NX Zero pega pista livre e acelera em “Apenas um
Olhar”, mantém a velocidade lá em cima em
“Pela Última Vez” e em “La Prision”
e encara uma descida em ponto morto em
“Incompleta”.
“E se Tudo Der Errado?”, questiona o vocalista Di
Ferrero em “Círculos”, música sob medida
para o baixista Caco Grandino colocar o pé no retorno e
tomar a rédea.
“Tarde Demais” é uma bela balada que abre a
porta e estende o tapete para a bate-cabeça e
bilíngüe “Uma Chance”.
“Mentiras e Fracassos” soa heavy metal no riff inicial
dos guitarristas Gee Rocha e Fi Ricardo até Dani
espancar seu kit e reconduzir o som para o trilho HC.
E “Um Outro Caminho” é o desfecho que condensa
todos os elementos acima – melodia vocal, peso, quebradas,
boas letras, guitarra potente, baixo preciso.
Você pode até duvidar de tudo o que foi dito a partir
do sexto parágrafo deste texto, quando passamos da
objetividade dos fatos para a subjetividade de como a música
nos toca. Por isso proponho um desafio: que coloque o CD para rodar
e tire as próprias conclusões. No final, pode
até não concordar comigo, mas não há
como ignorar a trupe de fãs que endossa as conquistas do NX
Zero dos primeiros cinco parágrafos.
Daiane Da Cunha Ribeiro








Géssica Alves
Seg 08 Fev 2010 23:58